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Três antologias muito interessantes para novos escritores

em 30/06/2011.
| Comentários: (3)
Hoje trago para o blog uma novidade da Mutuus Editora. O pessoal que acompanha o Na Ponta dos Lápis deve se lembrar de eu ter perguntado as temáticas de antologia que os leitores achavam interessantes. Enfim, após algum tempo pensando e lendo as sugestões dadas, foram escolhidas as temáticas. As coletâneas serão feitas com mil exemplares; assim é possível fazer o livro por um preço bom, de modo a tentar conquistar espaço em livrarias, e também possibilitar uma maior divulgação pela internet. É um projeto bem legal, que tem o intuito de montar livros de conteúdo, nada de apenas juntar textos avulsos, com ou sem qualidade, e publicar. Acho que vocês vão gostar.

Abaixo segue o release, com links e mais informações:


Mutuus Editora organiza três antologias. Participem!





Sabendo do aumento crescente do número de bons escritores brasileiros, a Mutuus Editora decidiu organizar três antologias, com o objetivo não só de divulgar novos talentos como também de encontrá-los, para que alguns deles possam ser publicados pela editora no futuro.

Cada uma das coletâneas terá uma tiragem de mil exemplares e haverá uma forte divulgação pela internet, assim como distribuição por livrarias, especialmente no Rio de Janeiro. Não se pretende apenas juntar um determinado grupo de autores e fazer um livro, mas criar uma obra de real qualidade, algo que possa brigar por espaço no mercado literário. Para mais informações, como regulamento detalhado para cada antologia e mais explicações a respeito das temáticas, basta acessar o blog da editora: http://blog.mutuuseditora.com.br/2011/06/participe-de-nossas-antologias.html


Algumas informações superficiais sobre as temáticas


Os Maiores Detetives do Século 21 - antologia de romances policiais. Criem seus detetives e coloquem-nos em casos complexos e intrigantes. É um tipo de livro que certamente agradará muitos autores e leitores.

Novos Talentos da Poesia - uma coletânea com bons e novos poetas brasileiros. Pretende-se dar mais atenção a quem produz e posta na internet (mas haverá exceções, naturalmente). A idéia é ter de 4 a 5 páginas por autor, para que lhes seja dado o devido destaque - 3 ou 4 poemas e uma página de apresentação.

Cidades - esta será uma antologia de contos e crônicas do cotidiano. Espera-se uma prosa agradável e reflexiva, que nos ajude a montar, texto após texto, o quebra-cabeças que é a vida dentro das grandes e pequenas cidades.
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Poema: (In)Sensibilidade

em 27/06/2011.
| Comentários: (8)
Hoje posto novamente no blog um poema já antigo meu, mas do qual eu gosto muito. Lembro da época em que fiz, realmente fiquei satisfeito com o resultado. Decidi postá-lo novamente por aqui pelo fato de que, de lá para cá, muita gente nova passou a seguir o Na Ponta dos Lápis e pode não ter lido. É um poema um pouco mais rebuscado, mas com muitas reflexões contidas nela, vários trabalhados com significados de palavra e linguagem, eu realmente gostei de como ele saiu. Espero que o pessoal que não o leu goste e comente!


(In)Sensibilidade

Há poucas coisas mais sensíveis que uma pedra.
É impossível não sentir uma pedrada.
Mas pedra, que é pedra,
sente nada.
Provoca choro,
a pedra dura e pesada.

Pedra boa provoca os sentidos,
pedra polida e também pedra lascada.
A pedra que é pedra
lapidada,
já não é pedra
é pedra-coisa, fabricada.

Pedra sensível é pedra pura e cristalina.
Às vezes verde, às vezes avermelhada.
A pedra que de calor e cor se inunda
que só tem sentido à pessoa que é amada.

E quem olha para tal pedra logo pergunta:
de que serve pedra tão bela e abrilhantada,
se certa hora, lá no final das contas,
pedra que é pedra vai terminar quebrada?
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Sobre o prazer da leitura

em 20/06/2011.
| Comentários: (5)
Hoje nós temos televisores, cinemas, DVDs, internet e milhares de opções de entretenimento; tudo ao toque de um controle remoto, de um mouse ou, então, na distância percorrida até o Shopping Center mais próximo. O livro, no entanto, persiste. O hábito da leitura resiste, como um estranho fenômeno em uma sociedade de consumo rápido e superficial.

E o mais interessante é que a leitura hoje também faz parte do mercado; chega a alimentar as outras mídias, especialmente o cinema. São best-sellers que faturam milhões; clássicos que retornam do passado para instigar as mentes do presente e do futuro; poetas na internet (infelizmente a poesia ainda não conquistou o mundo!); novos autores, brilhantes, capazes de nos fazer pensar e refletir; e, claro, também os livros de auto-ajuda - que, embora não sejam tão essenciais assim, mostram-se mais do que presentes nas livrarias e nas prateleiras de muitos leitores. Mas, enfim, o que impressiona é que a leitura prossegue, firme e forte, talvez ainda mais forte do que em épocas anteriores, embora alguns possam questionar a qualidade do que é lido - e em muitos casos com razão.

Surgem, portanto, algumas questões, simples e diretas: por que o ato de ler ainda tem tanta força? Por que milhões de pessoas espalhadas pelo mundo mantêm esse hábito, muitas vezes com mais intensidade do que alguns outros, que até são mais adaptados à vida contemporãnea, como assistir filmes e programas de TV? Se fosse apenas pelo entretenimento, naturalmente os produtos audivisuais seriam mais práticos. Afinal, neles há efeitos muito mais impressionantes; e a facilidade de compreensão é, sem dúvida alguma, muito maior. É tudo mais simples e fácil.

Entretanto, as pessoas não se rendem, continuam apegadas à leitura. E, pelo que vejo, o gosto por ela é crescente. Isso me coloca a pensar. Por que os indivíduos estão se voltando novamente para o livro, mesmo que sejam apenas os livros de entretenimento, as chamadas boas histórias? Creio que tudo se dê um pouco pelo fato de que a leitura nos dá um prazer que talvez esteja em falta hoje: a capacidade de conexão.

Numa sociedade em que as pessoas se vêem perdidas em uma infinidade de escolhas e também de obrigações, o contato com o outro, em muitos casos se reduz. Às vezes se resume a conversas rápidas e superficiais pela internet, por uma rede social, ou a encontros casuais - e também breves - em bares, shoppings, ônibus, metrôs e etc... As pessoas se "chocam" umas com as outras e, volta e meia, procuram esses "choques", justamente pela falta de contato (algo que foi muito bem trabalhado e apontado no filme Crash - No Limite). Enfim, o mundo hoje é acelerado, e muitas vezes as pessoas se vêem forçadas a se dedicar muito ao trabalho e aos estudos, perdendo um pouco do contato social. A tecnologia até traz uma certa ilusão de proximidade que, embora seja saudável, pois de fato mantém viva a interação com parentes, amigos e etc, ainda assim é insuficiente.

Já nos livros, nas histórias com boas tramas e bons personagens - e em belos contos e poemas - muitas vezes encontramos esta conexão. Podemos conhecer a fundo um ou mais personagens, podemos deixar nosso "mundo acelerado" um pouco de lado, despir-nos dele ao sentarmos em uma confortável poltrona de leitura, e nos entregar a uma experiência mais profunda, mais satisfatória, totalmente oposta à superficialidade que, com cada vez mais veemência, impõe-nos o cotidiano. A leitura aproxima o escritor de quem o lê, traz as visões de mundo daquele autor - ou de seus personagens, pois as duas coisas são totalmente diferentes - a quem tem contato com o texto, com a obra. É um momento em que as defesas são baixadas e, por meio da leitura, as pessoas se permitem ouvir e pensar; e até mesmo experimentar as sensações trazidas pelo mundo que a elas se abre nas páginas de um livro.

A leitura, por fim, é uma experiência completamente oposta àquilo que é o cotidiano de nossa sociedade. É um momento único de reflexão, de entrega, de conhecimento. Talvez por isso seja tão atrativa, seja tão agradável. É quando as pessoas podem conhecer o outro, conhecer o mundo e também se conhecer. É, ao mesmo tempo, relaxamento e aprendizado; e causa um prazer que, para muitos, não pode ser igualado por filmes, novelas ou seriados de televisão.
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[Resenha + Sorteio] Nômade: entrevista com Carlos Orsi

em 14/06/2011.
| Comentários: (5)
Hoje falo de mais um autor que vem se destacando no cenário nacional. Como de costume - e embora eu não tenha feito isto com a constância de que gostaria - trago não só uma resenha de um de seus livros, no caso a obra de ficção científica Nômade, como também uma entrevista com algumas perguntas relacionadas às dificuldades que os novos autores precisam enfrentar. Vale checar, é uma postagem muito interessante. No final, ainda poderão concorrer a um exemplar de Nômade.

O livro é uma obra infanto-juvenil criada pelo autor Carlos Orsi (@carlosom71), que também possui outros projetos já em realização, como poderão acompanhar na entrevista. Naturalmente, devemos valorizar o sucesso alcançado pelo escritor, uma vez que é muito difícil conseguir se estabelecer no mercado editorial brasileiro. Nômade começa com a história de um grupo de jovens, liderados por Peleu, que deve sobreviver a uma espécie de "ritual de passagem" da adolescência para a fase adulta. Se trata de uma "aventura" na floresta, onde as crianças precisam aprender a sobreviver em grupo. Como disse anteriormente, trata-se de uma história de ficção científica; logo, esse "ritual de passagem" se dá, em realidade, em um dos compartimentos de uma grande nave (de nome Nômade) que serve de casa para a humanidade enquanto ela busca por um novo planeta. A experiência visa preparar as crianças para o momento em que tiverem de habitar um novo mundo.

Entretanto, tudo começa a ficar estranho. Uma série de acontecimentos inesperados gera desconfiança nos jovens: "há algo de errado com a nave". A partir deste momento, Carlos Orsi mistura ficção científica com um pouco de mistério e envolve o leitor em uma aventura para descobrir o que realmente está acontecendo. A narrativa é bem simples, até por se tratar de uma história infanto-juvenil, mas é bem feita, não "emburrece", nem rebusca demais, o que poderia afastar os leitores mais novos. De uma maneira geral, é um livro que pode ser desfrutado por qualquer um, seja ele adulto ou adolescente. Confesso que não sou muito fã da narração no presente, me causa um certo estranhamento na maioria dos casos. Mas em Nômade ela até que fluiu muito bem. Como o Carlos revelou, este é o estilo de escrita dele; portanto, a narrativa ficou natural.

Já faz um tempo, li uma resenha sobre este livro no blog Leiturinhas, da @vanillaprozac (veja a postagem). Lembro de uma afirmação dela sobre a obra, indicando que livros como este deveriam ser mais bem explorados nas escolas. Eu concordo. Embora os mais jovens devam também ler os clássicos, não podemos esquecer de que é necessário fazer com que eles se interessem pela leitura em primeiro lugar. Além disso, Nômade possui também algumas características bem didáticas, que vão certamente instruir os jovens leitores.

Observação: só queria indicar que gostei muito do trabalho da editora (selo @Jovem_Leitor), a produção do livro ficou muito boa, com alguns efeitos na capa e com ilustrações muito legais no miolo. Legal ver que investiram bem na obra.


ENTREVISTA COM CARLOS ORSI


Quando percebeu que queria se tornar um escritor?

R: Acho que meia-hora depois de aprender a ler... Eu me lembro de, com nove, dez anos, pedir para minha mãe comprar um caderno onde eu queria escrever um livro de espionagem (o livro ia ser do tamanho do caderno). O projeto não foi para a frente, mas a vontade ficou...


Hoje vejo publicações suas em algumas editoras diferentes, o que mostra que você já atingiu o primeiro passo para todo autor: conseguir seu espaço no mercado. Como isso aconteceu? Conte-nos um pouco da sua história, das suas estratégias para conseguir uma publicação.


R: Olha, acho que a únicas estratégias que posso recomendar são teimosia e disciplina. às vezes alguém se espanta com o volume de material que tenho publicado -- principalmente contos em revistas ou antologias -- mas essas pessoas não veem a pilha de rejeições. A teimosia ajuda a continuar escrevendo mesmo às custas do tempo de trabalho remunerado, lazer, etc.; a disciplina permite encarar as críticas com equanimidade e lutar para produzir um trabalho cada vez melhor.


Você possui algum projeto mais recente que o Nômade?
R: Tenho contos que devem sair em futuras antologias da Draco, como a Dieselpunk. Além disso, estou trabalhando num romance de suspense e mistério, que não é fc nem terror, e que não ofereci para nenhuma editora ainda. É bem diferente de tudo que já escrvei, e não me espantaria se acabasse sendo uma bomba... Mas achei que tinha de tentar. E, mais para o fim do ano, deve sair o "Livro dos Milagres", um livro-reportagem sobre ciência e fé onde trato de assuntos como o Sudário de Turim e o caso real que inspirou o filme O Exorcista.


Qual de seus livros já publicados recebeu a melhor recepção?
R: Boa pergunta! Suponho, pelo retorno que recebo de leitores e pelo comentários que vejo em redes sociais, etc, que meus maiores sucessos são Guerra Justa e Tempos de Fúria.


Você é um escritor de ficção científica. Como acha que esse gênero é visto no Brasil? Ele é valorizado? Existe um bom público? Pode citar outros bons autores do gênero?

R: Acho que o gênero começa a ser valorizado pelo público, ou melhor, a descobrir seu público. Um efeito muito interessante da internet é a aproximação que traz entre o pessoal que gosta de livros e de leitura, em geral, do pessoal que gosta de ficção científica -- entrando aí videogames, cinema, etc.A fertlização cruzada entre essas duas "tribos" nem sempre é tranquila, mas os resultados são surpreendentes.


Fale um pouco sobre a criação de Nômade. De onde surgiu a idéia para o livro? É sua primeira obra para o público infanto-juvenil?
R: É minha primeira obra escrita explicitamente com vistas ao público juvenil, embora minha primeira coletânea de contos (Medo, Mistério e Morte) tenha feito parte de uma coleção juvenil e o Tempos de Fúria tenha sido adotado por uma escola de ensino médio, há alguns anos. O livro surgiu de um convite para produzir uma obra nessa linha. Quanto à ideia para o enredo em si, ela surgiu de dois desafios que quis me impor: o primeiro, de fazer um livro juvenil de fc "hard" -- isto é, onde as especulações científicas têm, todas, fundamento na ciência atual; o segundo, de incorporar ao livro o maior número possível de cenários clássicos de aventura: a selva, o labirinto, o espaço...


Por que a opção por uma obra narrada no presente?

R: É o meu jeito de escrever. Visualizo as coisas acontecendo agora, na minha frente. Talvez seja um cacoete trazido do jornalismo... Estou escrevendo uma novela com narrativa no passado, e achando muito estranha a experiência!


De onde vem esta inclinação para histórias de ficção científica?
R: A inclinação inicial provavelmente vem dos gibis de super-heroi e de seriados de TV como Jornada nas Estrelas e Buck Rogers (faço parte do 1% da população que achava a série antiga do Buck melhor que a Galáctica original). Mas isso evoluiu para um fascínio mais geral com a ciência em si, e com o modo científico de ver e pensar o mundo.


Como você vê os tempos atuais para os novos escritores?
R: São tempos fascinantes! Nunca houve tanta oportunidade para publicar e obter feedback como agora. Algumas pessoas veem nessa facilidade um aspecto negativo, já que, se todo mundo pode publicar, o resultado é um oceano de obras onde o trabalho de cada autor não passa de uma gota, difícil de identifcar. Mas para isso existem as editoras sérias, que não cobram nada do autor e pagam direitos autorais: são elas que acabam funcionando como peneira, separando a música da estática. Não que seja impossível um autor se destacar do ruído de fundo sozinho, mas isso requer que, além um bom escritor, ele também seja um bom homem de marketing: não é numa combinação fácil.


Que dicas daria para os autores iniciantes?


R: Teimosia e disciplina. Teimosia, principalmente. Eu me lembro de uma entrevista antiga do Sylvester Stallone, acho que da época do Rambo 2, em que perguntaram para ele como fazer para manter a forma física mpressionante que ele tinha na época, e ele respondeu algo como: "Você não quer saber. Não vale a pena". Escrever é meio assim: se você pensar bem, não vale a pena. Mas se a teimosia for forte demais... seja disciplinado.


CONCORRA A UM EXEMPLAR

Para concorrer a um exemplar do livro Nômade, basta seguir os seguintes passos:

- Seguir o blog na ferramenta de leitores colocada na barra lateral.

- Deixar um comentário sobre a resenha, sobre a entrevista, ou para o autor.

- Postar no twitter a seguinte mensagem: Quero ganhar um exemplar do livro "Nômade", do @carlosom71, no blog do @leoschabbach - http://migre.me/53snR

*a promoção será válida até a próxima quinta-feira, dia 30 de junho.
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Dicas para publicar e distribuir o seu livro

em 09/06/2011.
| Comentários: (15)
Após a minha postagem a respeito da iniciativa do Bookess de colocar alguns de seus livros no formato e-book na Livraria Cultura (checar a postagem aqui), recebi alguns pedidos e também indicações (agradecimentos ao pessoal do @oficioeditorial) de formas de se publicar e distribuir livros independentes. Por este motivo, resolvi juntar em apenas um texto algumas informações valiosas para os autores neste sentido, uma vez que não necessariamente as pessoas têm idéia do que pode ser feito e também dos custos para fazer cada coisa.

Em primeiro lugar, publicar um livro de maneira independente e apenas vendê-lo pessoalmente ou através da internet (Uol PagSeguro  e etc...) é uma coisa; já se ter a ambição de não só publicar como também de distribuir um livro é outra. Naturalmente, cada situação depende - e muito - de quais as pretensões do autor. Num primeiro caso, pode ser que se queira apenas presentear amigos ou vender para um grupo mais reduzido; também é possível que o escritor tenha um público tão grande online que seja capaz de, mesmo sem qualquer distribuição, vender o suficiente e gerar um número de leitores crescente, especialmente através do boca-a-boca. Entretanto, de uma maneira geral, é na segunda situação em que se almeja - e se deve - alcançar um público maior. Porém, como fazer para colocar as obras nas livrarias?

Primeiramente, é possível falar sobre os livros digitais - ou e-books. Hoje, quase qualquer autor pode optar por este tipo de publicação. Embora os leitores como Ipad e Kindle ainda não sejam extremamente populares no país, algo que se deve ao alto preço, o número de consumidores regulares de e-books têm aumentado vertiginosamente. Logo, pode ser que já seja interessante para os novos escritores optarem por este formato. Basta escrever o livro, revisar, diagramar, fazer uma boa capa e colocar o arquivo no formato Epub, utilizado pelo Kindle e pela maioria dos sites de venda da internet. O grande problema é que nem todo mundo tem como fazer todos esses processos citados acima com qualidade. Seria preciso, talvez, pagar um revisor, um diagramador e um capista (algo que, mesmo para um livro pequeno, custaria no mínimo, conseguindo ótimos preços mesmo, algo entre 400 e 500 reais).

No entanto, supondo que se consiga falar com amigos e outras pessoas para ajudar nos processos de editoração, ainda há alguns gastos necessários. Como dito anteriormente, a edição de livro que visa ser distribuída, mesmo para um autor iniciante, precisa de algumas coisas que uma edição pessoal não precisaria. A primeira delas é o ISBN. Para vender seu livro em alguma loja virtual será necessário a retirada não só do número do ISBN como também do código de barras. Isso custará 34 reais, mas apenas se o autor já tiver um cadastro de editor feito. Se não tiver, precisará se cadastrar como tal, o que custará mais 180 reais. Há ainda a necessidade de se fazer uma ficha catalográfica, que custaria mais 70 reais. Vejo atualmente muitos livros sendo vendidos online sem a ficha catalográfica. Sinceramente, é algo que não deveria ser aceito. Mas aparentemente as livrarias têm aceitado. Se um autor for vender o livro por ele mesmo, pessoalmente, não há a necessidade da ficha e, em realidade, nem do ISBN, mas no caso da venda comercial, por livrarias e afins, ambos são necessários; não por causa do autor, que tem o direito de vender sua obra sem essas restrições (direito Constitucional), mas por responsabilidade da própria livraria, uma vez que na lei do livro pede-se esses quesitos para a comercialização.

Enfim, após feitos todos os registros e terminada a edição do e-book, é preciso transformá-lo em Epub e distribuí-lo. Eis que, para este formato, há uma excelente opção para fazer ambos os processos. A Xeriph hoje pode fazer a transformação do arquivo em PDF para Epub com alta qualidade, também sendo responsável pela distribuição do livro em todas as suas lojas afiliadas (o que inclui grandes livrarias, como a Leonardo da Vinci). A empresa, porém, ficará com 50% do valor de capa para fazer a distribuição (parece muito, mas é assim que funciona o mercado, as livrarias ficam sempre com algo em torno de 50% das vendas). O preço para a conversão dos arquivos é de 209 reais.

Com o seu arquivo Epub pronto, basta não só cadastrá-lo na Xeriph para a venda, como também colocá-lo à disposição no site da Amazon e da Livraria Cultura. No caso da Amazon, basta procurar no site para encontrar uma maneira de colocar o seu livro à venda. Já no caso da Livraria Cultura, será necessário entrar em contato com eles por e-mail. Se o fizer, conseguirão colocar seus e-books para vender por lá - e eles ficarão também com 50% do preço de capa.

Isso significa dizer que, caso um autor possua contatos que possam lhe fornecer uma boa capa, diagramação e revisão sem custos, ou com custos baixos, ele poderá fazer um e-book no formato Epub por 209 + 214 (ISBN) + 70 (ficha catalográfica) reais. Isto é, o custo total sairia por cerca de 500 reais, e seu e-book estaria na Amazon, na Livraria Cultura e em todas as livrarias parceiras da Xeriph. Isso já é um bom começo.

Numa segunda situação, tratando-se agora dos livros impressos que tenham ISBN já retirado, pode-se procurar por distribuidoras e até mesmo editoras que aceitem trabalhar com a distribuição do seu livro. Se eles acharem que a obra é interessante e tem potencial, é possível conseguir esta distribuição. Não é algo muito fácil de acontecer, mas é possível. Além disso, nos casos dos livros impressos, também é aconselhável entrar em contato com a Livraria Cultura para também haver a comercialização por meio do site.

Nota: vale lembrar que é necessário a retirada de um ISBN para o livro impresso e outro ISBN para o livro digital.

Nota 2: era muita informação para colocar junta. Se alguém lembrar de algo que eu tenha esquecido, favor avisar por e-mail ou nos comentários para eu atualizar.
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De onde vem a inspiração?

em 03/06/2011.
| Comentários: (5)
A postagem de hoje faço em cima de um poema de Vinícius de Moraes. Quem acompanha o blog, deve ter me visto citá-lo uma ou duas vezes. Não é uma poesia super complexa, nem muito grande, mas é bem significativa. Inclusive, de uma maneira geral, são assim os poemas de Vinicius. Simples, com uma musicalidade e ritmo extremamente agradáveis e com belas mensagens; trata-se realmente de um talento único.

O texto de hoje e o poema que quero destacar falam um pouco daquilo que eu abordei na postagem Como lidar com o bloqueio criativo. Vejam o poema:


A Um Passarinho

Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.

Deixa-te de histórias
Some-te daqui!


Fica clara a mensagem transmitida pelo poeta aqui. A poesia, neste eu-lírico, viria exatamente dos momentos de melancolia ou tristeza, daquelas horas em que é necessário expor em versos sentimentos difíceis de serem racionalizados. Talvez o próprio Vinícius trabalhasse assim.

Acho que é um poema muito interessante, por trazer à tona parte da discussão que já coloquei aqui anteriormente. De onde cada escritor retira sua inspiração? De momentos tristes? De momentos felizes? E por que não questionar se ela existe? João Cabral dizia que um bom poema, para ele, se fazia com muito mais transpiração do que inspiração.

Enfim, é uma questão complicada, eu mesmo não saberia dizer. Muitas vezes, racionalmente, afirmo que não há algo como uma inspiração. É preciso que sentemos e nos coloquemos a produzir. Outras vezes, há poemas que vêm com tanta facilidade, tão de repente, que é difícil negar a existência de um processo, não necessariamente etéreo, que nos empurra ao poema.

Eu, basicamente, acredito que a inspiração vem da experiência. Quanto mais pessoas conheço - e quanto mais interessantes forem -, quanto mais situações me aparecem, quanto mais locais eu visito, mais idéias surgem, praticamente em qualquer lugar. Portanto, acho que é essa experiência, a vida, que se transforma em literatura. E se estivermos atentos aos detalhes, podem surgir poemas "do nada" e "já prontos" na nossa cabeça, tudo porque nós já estávamos observando e pensando nos versos sem perceber. Ao menos acho que o meu processo passa um pouco por aí.

Por fim, para quem nunca viu, deixo um poeminha engraçado que fiz sobre Inspiração já faz um tempo.

Inspiração

A inspiração entrou pela janela
assim que decidi tomar um ar.
Sentei e conversei com ela,
perguntei se podia me inspirar.

A tarefa, disse ela, é complicada,
me pediu dois bolinhos e um chá.
A noite foi, então veio a madrugada;
a inspiração e eu a conversar.

Metódica, do chá tomava um gole
a cada dois pedaços de bolinho.
É preciso primeiro matar a fome,
para depois descobrir o seu caminho.

Gesticulava e com os gestos desenhava
poemas concretos, poemas-bastão,
como aqueles da química escolada;
fórmulas, carbonetos, combustão.

Me surpreendeu, também era matemática,
se transformou em números na minha frente.
Assustado, gritei "Senhora?" de repente,
ela virou-se para mim e disse "fática"!

Corri e rabisquei no meu caderno
ela leu e olhou com reprovação.
Tinha escrito poemas de inverno,
ela queria poemas de verão.

Irritado, a coloquei para fora,
ela nada tinha a ver com os meus poemas.
E hoje quando escrevo tenho problemas
por causa de uma inspiração que chora.
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