O Legado dos Dragões [E-book gratuito]

Acompanhe esta história épica de aventura fantástica, no estilo "O Senhor dos Anéis". Baixe aqui o livro gratuitamente e participe deste universo em construção!

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[Resenha e Indicação] O Nome do Vento e Patrick Rothfuss

Hoje falo sobre um dos melhores livros de literatura fantástica que já li (senão o melhor). Coloco, inclusive, a resenha marcada como livros de cabeceira, pois de fato trata-se de uma obra incrível...

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[A Sociedade da Rosa] Boa Vizinhança

Acompanhe essa série de mistérios, com um certo ar de romance policial, aventuras e ação. Descubra também tudo sobre esta estranha sociedade secreta

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[#1 IceCast] Informação, Cultura e Entretenimento - Tema: Capas de Livro

em 21/12/2011.
| Comentários: (7)
Olá, pessoal. Hoje trazemos aqui para o blog o nosso primeiro podcast - digamos que um "episódio piloto", já que ainda estamos testando algumas coisas. Espero que gostem da iniciativa - e que perdoem também qualquer eventual probleminha. Escolhemos o nome ICEcast pelo fato de que traremos muita Informação sobre Cultura e Entretenimento (I.C.E). Nossa primeira postagem falará sobre "Capas de Livro", um tema que, na minha opinião, é muito interessante.

Aviso: os usuários do browser Safari podem ter alguns problemas com o player do podcast. Estamos tentando resolvê-los, mas vocês podem baixar o arquivo de áudio tranquilamente.

No IceCast de hoje estão presentes eu e o Henrique, formado na Escola Superior de Artes e Design do Porto. O podcast terá, normalmente, nós dois e um outro amigo nosso, que não pôde estar presente nesta primeira edição, como pessoas fixas na programação. Ainda estamos selecionando a próxima temática, mas pensamos em falar sobre histórias em quadrinho. Enfim, dêem suas opiniões! Participem!

Acompanhem abaixo as capas citadas no podcast (clique nelas para aumentar)



Baixe "O Legado dos Dragões" gratuitamente

Bernard Cornwell


Dividindo Mel - Iris Figueiredo (@iris_figueiredo)


Dragões do Éter - Raphael Draccon (@raphaeldraccon)


A Batalha do Apocalipse - Eduardo Spohr (@eduardospohr)
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Entreter é preciso

em 19/12/2011.
| Comentários: (8)
Essa é uma postagem um pouco ampla, em que pretendo falar sobre algo que me ocorreu durante uma palestra de longas horas que assisti algumas semanas atrás. Tem a ver com o processo de transmissão de conhecimento e também de reflexão, que pode acontecer em aulas, palestras e, claro, na literatura. A questão é muito simples. Em muito se critica a questão do entretenimento hoje; no entanto, o que se percebe é que, cada vez mais, entreter é necessário, para tudo, inclusive para a transmissão de conhecimento. Saber lidar com o público, saber  atraí-lo é fundamental, atualmente, em todas as áreas da vida acadêmica e social.

Por mais que se possa achar este um conceito estranho e um pouco radical, é a mais pura verdade. No mundo de hoje, com toda a correria que envolve o cotidiano, as pessoas simplesmente não pararão para escutar nada que, de algum modo, não as atraia. É um tempo de sedução, em que é essencial envolver o leitor, o ouvinte ou o aluno para que se possa transmitir aquilo que se pretende.

A idéia de fazer a postagem, como eu havia dito, veio-me em meio a uma longa palestra, em que muitos nomes consagrados falavam sobre as mais diversas teorias literárias e filosóficas. O grande ponto a se destacar é que muitos deles, alguns simplesmente brilhantes, fantásticos, não conseguiram transmitir com muita qualidade as suas idéias para o público, não conseguiram cativá-los a ponto de realmente os fazer prestar atenção no que era passado. E isso ocorreu justamente por uma inabilidade de se conectar com a audiência, de apresentar as informações de um modo sedutor.

Por isso, resolvi escrever este texto, pois acho que a mesma situação se aplica à literatura. Eu já disse muitas vezes, e vou repetir, que gosto muito da literatura apenas de entretenimento e que gosto ainda mais da literatura reflexiva. No entanto, o que começo a defender aqui é que uma não precisa ser necessariamente dissociada da outra. É possível - ou melhor - é necessário hoje, com o mundo estruturado da maneira como está, entreter o leitor para lhe transmitir conhecimento ou reflexões. É algo simplesmente crucial.

E não falo disso sem nenhuma base para meu argumento. Este é um caminho que eu mesmo escolhi no meu livro O Código dos Cavaleiros e também é, em alguma instância, o estilo de um dos maiores escritores dos últimos tempos: José Saramago. Todos os seus livros possuem reflexões muito complexas, possuem uma potência questionadora enorme. No entanto, todos eles, por mais reflexivos que venham a ser, têm também um caráter muito forte de entretenimento. São histórias diferentes, com algumas sacadas geniais, que deixam o leitor preso do início ao fim do livro, querendo saber como tudo aquilo se resolve, acompanhando o processo de evolução da história e de cada personagem - processo que nos leva a profundas reflexões. Talvez por isso o autor tenha alcançado, além do sucesso de crítica, um enorme sucesso entre os leitores (algo que veio muito antes de lançarem o filme de O Ensaio sobre a Cegueira - resenha aqui). Intencionalmente ou não, Saramago produziu uma série de obras poderosamente adaptadas à sociedade pós-moderna. São livros mais do que bem escritos, com uma enorme força questionadora e também capazes de instigar quem ler, de entreter quem lê. Um entretenimento com muita qualidade, com muita reflexão. E, hoje, creio que seja esta uma característica essencial a quem escreve - não só questionar, mas também entreter, pois sem o entretenimento, na nossa sociedade, a história permanecerá na obscuridade, sem exercer aquilo que se desejava.

Um outro grande exemplo disso que argumento é Umberto Eco, com seu clássico livro O Nome da Rosa; uma grande obra da literatura mundial, que traz consigo uma qualidade enorme, uma grande capacidade de contestação, e se trata também de um grande livro de entretenimento, um grande romance policial.

Enfim, não é muito fácil dizer exatamente onde quero chegar com este texto, ele serve mais para que todos pensemos sobre o assunto. Mas, o que me parece, é que podemos sugerir um novo modo de se trabalhar a literatura. Um modo que fique mais no meio termo entre a ridícula "guerra" entre o que é literatura de "qualidade" e o que é literatura de entretenimento. E creio que Stieg Larsson (da trilogia Millenium) seja um bom nome para representar isso.
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[Resenha] O Temor do Sábio

em 16/12/2011.
| Comentários: (3)
Hoje faço a resenha do segundo livro da saga "A Crônica do Matador de Reis", do mais do que excelente escritor Patrick Rothfuss. Já fiz uma postagem sobre o primeiro livro da série, O Nome do Vento, e indico a todos que leiam, é de fato uma obra de enorme qualidade.

Como já havia dito anteriormente, após ganhar meu Kindle, não consegui me conter e acabei comprando O Temor do Sábio em inglês, pois queria muito continuar a leitura sobre as aventuras de Kvothe, personagem principal do livro. É difícil explicar tudo o que ocorreu em O Nome do Vento para que esta resenha fique completa, por isso indico a todos que leiam a postagem anterior, onde falo não só sobre o livro, mas também sobre o autor, Patrick Rothfuss.

A segunda obra da série, O Temor do Sábio, não decepciona. Aliás, é ainda melhor do que o já excelente primeiro livro. Quem acompanha o blog, sabe que não faço muitas resenhas, mas, de uma forma geral, quando faço, é de livros que realmente são excepcionais em minha concepção. Eu diria que o problema mais grave de O Temor do Sábio, o seu maior defeito, é que o livro, infelizmente, acaba. É claro, trata-se de um tijolão de mais de 1.000 páginas (com letra pequena e formato de livro maior). No entanto, ainda assim, quando você termina de ler o livro, você quer mais, quer saber mais a respeito dos mistérios apresentados, mais a respeito do Kvothe, quer saber como toda a saga irá terminar - o que, infelizmente, pode levar alguns anos.

A escrita de Rothfuss continua excelente. E sua atenção aos detalhes da trama continua a me surpreender. Coisas mínimas, imperceptíveis quase (não falarei sobre elas para não estragar coisas que virão, inclusive, nas próximas obras!), que aparecem no início do livro - ou em O Nome do Vento - são retomadas, quase como se tudo que é colocado na história tivesse uma conexão. É um trabalho monstro do autor, que certamente fará de sua saga um clássico da literatura fantástica adulta.

Em O Temor do Sábio, vemos Kvothe amadurecer, tornar-se mais poderoso e ainda mais "experiente", apesar de sua pouca idade. Somos apresentados também a novos povos do mundo de Rothfuss e a uma filosofia muito legal do povo de Adem (não sei como foi traduzido).

Enfim, a leitura é, como no primeiro livro, extremamente agradável - e muita gente certamente chegará atrasado na escola, no trabalho e etc... por ficar lendo o livro até altas horas da madrugada. A quem leu O Nome do Vento e não sabia se a compra valia à pena, posso dizer que vale. E a quem nunca leu nada da série, se curtir literatura fantástica, vá correndo iniciar a leitura; é um livro realmente muito bom.
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[Audiopost] Sobre o processo de criação de um conto: Homem vs. Máquina, a questão do livre-arbítrio

em 11/12/2011.
| Comentários: (5)
Hoje trago algo diferente para o blog. Na verdade, esta postagem inicialmente era para ser um artigo. No entanto, conforme pensava sobre o que escreveria no artigo, percebi que ele daria um ótimo conto. Como estava na dúvida entre um e outro, decidi fazer esse audiopost, em que falo um pouco sobre produção literária - ou ao menos sobre como funciona a minha produção de contos. Acho que ficou bem legal, até porque jogo alguns pensamentos e reflexões também. Espero que gostem.


Alguns contos feitos no estilo citado no áudio

Visita à loja de brinquedos
A Bandinha
Debate sobre a pobreza



Escutem o post!

Processo de criação de um conto



E aí, curtiram a novidade? Comentem! =)





Gostou do blog? Gostou dos textos? - o autor Leonardo Schabbach, que produz o conteúdo do Na Ponta dos Lápis lançou recentemente sua primeira obra literária, O Código dos Cavaleiros. Ajude-o a continuar produzindo! Informações sobre a obra (como comprar - autografada -, capítulos para degustação, capa, sinopse e muito mais) podem ser encontradas neste super hotsite (clique para acessar).

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[A Sociedade da Rosa] Boa Vizinhança - Final

em 09/12/2011.
| Comentários: (7)
Editado: upei esse primeiro conto da Sociedade da Rosa para relembrar um pouco os leitores do blog da série, que deve ser retomada agora que fechei o primeiro livro de O Legado. Essa é a última parte, mas vocês podem conferir o início da série aqui (importante ler para entender esse primeiro conto) e os dois contos que iniciaram a história "Boa Vizinhança": Parte I e a Parte II

Coloco, por fim, a última parte do primeiro conta da Sociedade da Rosa. Espero que vocês estejam gostando e acompanhando, eu tenho muito prazer em escrever essa história. Como sempre digo, é muito importante ver o comentário de vocês por aqui ou, ao menos, por e-mail, para saber que tem gente acompanhando; portanto, quem gostar, comente!

Demorei um pouco mais a atualizar a história (quase duas semanas), pois, no dia que teria tempo para escrever, faltou luz aqui no Rio de Janeiro, em boa parte da cidade - então atrasou tudo. Semana que vem - ou ainda nessa, tenho que decidir, pois o texto já está pronto - irei postar mais um pedaço de O Legado.

Para quem nunca acompanhou a Sociedade da Rosa, sugiro que leiam o prólogo (que explica bem) e também a Parte I e a Parte II deste primeiro conto. Acho que os fãs de romances policiais talvez gostem da série. Enfim, aproveitem!

**************

Algum tempo havia se passado desde a chegada do último carregamento de drogas. Felipe esperava do outro lado da rua, ainda como o mendigo ignorado momentos antes pelos quatro golpistas. Embora estivesse calmo, uma vez que nunca deixava que suas emoções o atrapalhassem em seus trabalhos, sentia uma certa raiva, um certo desconforto em relação ao que aqueles golpistas faziam. Poderia dizer até que era um sentimento hipócrita, já que muitos dos agentes da organização faziam coisas piores. Ainda assim, não se sentia bem. Ele fazia parte da Sociedade, é claro, mas sua visão de mundo e, principalmente, as missões que até então realizara nunca visavam, em sua opinião, o mal de alguém; muito pelo contrário. Sabe-se lá por que razões, ele gostava de ajudar as pessoas, mesmo que o fizesse por métodos não tão ortodoxos. Se a Sociedade tentava mover o mundo como o “acaso”, Felipe gostava de se ver como a “boa fortuna”, ou “A sorte” – e assim muitos de seus companheiros o chamavam. No entanto, como seu mentor havia lhe ensinado, a sorte de uns, de uma maneira geral, é o azar de outros; e com isso ele deveria se contentar, por mais que esta perspectiva não lhe agradasse. A boa fortuna, no entanto, deveria sempre beneficiar os bons, era o que Felipe respondia.

Naquele momento, todas estas ponderações passavam por sua cabeça. Ele sabia julgar bem as pessoas, sabia que Júlio era um menino bom, que apenas precisava de ajuda para escolher um melhor caminho. Era por isso que precisava se livrar daqueles golpistas, tinha de dar um fim àquela pequena – e quase irrelevante – organização.

Com uma garrafa de vodka na mão direita, levantou-se, cambaleante. No meio do caminho, ainda fingiu um escorregão; agarrou-se em uma das lixeiras laranjas que ficam presas aos postes da cidade e levou-a ao chão. Os dois golpistas que faziam a segurança da casa finalmente lhe deram atenção. O primeiro apenas riu, balançou a cabeça negativamente e murmurou algo como “bêbado maluco”. O segundo o fitou um pouco desconcertado, quase com pena, como se aquela visão realmente o incomodasse. Foi com ele que Felipe foi falar.

- Ei, cara, ó... pô... eu tô passando muito mal. Tem... como... entrar aí? Só usar o banheiro, rapidinho, pô.

O homem ficou parado, sem muita reação. Seu companheiro de vigia, porém, foi um pouco mais enérgico e logo empurrou Felipe para trás.

- Sai daqui! Vai beber em outro lugar. Eu, hein, maluco!

- Oi... oi... oi – respondeu Felipe enquanto recuava, sempre cambaleante. – Pô... mas eu tô muito mal... tu num vai querer que eu vomite aqui na calçada, né? Coé...

- Pô, irmão, acho melhor deixar o cara entrar, vai ser rapidinho. – tentou o primeiro homem, que parecia ser um pouco mais piedoso.

- Não! A gente não pode deixar ele entrar. Não pode mesmo.

- Ah... que isso! Que que esse cara vai fazer? Nada. Qual o problema? Fala sério. Pior vai ser depois, ficar aqui com cheiro de vômito a noite toda.

- Ah... sei lá... – o segundo homem balançava a cabeça.

Felipe se aproximou dele, fazendo todos os movimentos e sons de quem está prestes a regurgitar. Segundos depois, controlou-se.

- Se você me deixar entrá pode ficar com essa garrafa aqui. – ele disse, num tom bem rápido e agonizante.

O segundo homem pegou a garrafa de vodka com mão direita e logo recuou cerca de três passos, com uma expressão de nojo estampada no rosto.

- Tá, tá, tá. Passa logo vai, primeira porta à esquerda. Vai... vai!

Felipe fez um aceno de positivo com a cabeça e correu cambaleando para dentro da casa. Fez muito barulho, chegando a derrubar um dos quadros colocados logo na entrada. Se aquilo não chamasse a atenção de quem estava lá dentro, ele estava certo de que poderia andar pelo local sem muitos problemas. Ainda assim, precisaria tomar cuidado.

Em alguns segundos, chegou ao banheiro e trancou a porta. Enquanto gemia e fazia barulhos para convencer quem quer que estivesse do lado de fora de que ele passava mal, espalhou o conteúdo inteiro de uma garrafa de vodka pelo aposento. Logo em seguida, abriu a porta com cuidado, verificando se alguém o vigiava.

Naturalmente, tinham-no deixado sozinho; afinal, ele era um ser invisível, alguém completamente insignificante e inofensivo, não havia motivos para que tivessem qualquer tipo de desconfiança. Felipe sorriu; seu plano saíra como o planejado. Em seguida, caminhou vagarosamente até a escada que levava para o segundo andar. Subiu, então, passo a passo, pelo pequeno rodapé que separava os degraus do corrimão. Mesmo que aqueles que estavam dentro da casa não tivessem se incomodado com o barulho que ele fizera ao entrar, ainda era recomendável tomar todos os cuidados possíveis. Na maioria das casas antigas do Centro da Cidade do Rio de Janeiro, a arquitetura de séculos atrás permanece intacta – e isto inclui também as escadas, que são, por isso, feitas de madeira antiga e mal cuidada. Qualquer passo mal dado, gera um barulho considerável, ainda mais quando tudo está em silêncio. Por este motivo, Felipe subiu cautelosamente pelo rodapé, que é formado por uma única viga de madeira e, portanto, está menos suscetível a rangidos e estalos.

Assim que chegou ao segundo andar, deparou-se com três estreitos corredores. O de sua esquerda levava para uma pequena varanda, que ficava na lateral da casa; o da direita levava a uma porta entreaberta, onde havia luz e barulho; logo a sua frente, o terceiro pequeno corredor levava a uma porta fechada. Era certamente o melhor local para se olhar naquele momento.

Com os olhos fixos na porta a sua direita, Felipe cautelosamente deu seu primeiro passo, colocando o pé direito no rodapé do corredor a sua frente; em seguida, colocou o esquerdo. Depois, seguiu até a porta fechada, que para sua sorte não estava trancada. Na realidade, nem sabia se as fechaduras ainda funcionavam, de tão velhas que pareciam.

Rapidamente, entrou e encostou a porta, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Lá dentro, o cômodo estava completamente escuro. As janelas tinham sido cobertas por pedaços de papelão, que impediam a entrada das luzes dos postes de iluminação da cidade. Felipe logo abriu seu celular e iluminou a sala com sua tênue luz azul. Havia sombras de cadeiras espalhadas por todo o aposento. Mais à frente, pôde distinguir os contornos de uma bolsa em cima de uma pequena mesa de centro. Logo atrás, vislumbrou a janela por onde pretendia escapar. Ele observara a casa em todos os seus detalhes e sabia que, por ali, cairia em um terreno baldio, coberto apenas por pequenas árvores e mato. Cuidadosamente, certificou-se de que a janela não estava trancada e, então, decidiu analisar o conteúdo da bolsa: precisava colher evidências para acabar de uma vez por todas com aqueles golpistas.

Abriu o fecho bem devagar, ainda evitando fazer qualquer tipo de barulho. Se pudesse fazer tudo sem levantar uma suspeita sequer, consideraria sua execução perfeita – e de fato gostava muito de realizar suas missões com o maior grau possível de brilhantismo, mesmo quando se tratava de algo trivial; Felipe era um perfeccionista, queria superar todos os outros agentes, e sabia que tinha esta capacidade. De dentro da bolsa, retirou com cuidado três sacos de cocaína, que deveriam pesar, no total, cerca de dez quilos. Ali estava toda a evidência de que necessitava.

Rapidamente, fez um pequeno furo em um dos sacos com uma agulha e retirou alguns gramas do pó. Depois, retirou de um dos bolsos secretos de seu disfarce uma câmara digital e fotografou não só a bolsa como também a sala.

- Ei! Você escutou alguma coisa? – sussurrou uma voz vinda do lado de fora do quarto. Talvez o flash ou até mesmo o barulho da máquina tivessem chamado a atenção dos golpistas.

- Não ouvi nada não, você ouviu? – respondeu uma segunda voz, já em tom mais alto e despreocupado.

- É, acho que foi só impressão...

- Você anda meio paranóico! – emendou a segunda voz.

Os dois homens do lado de fora caíram na gargalhada. Já Felipe colocou lentamente os sacos de cocaína na bolsa. Tomou também o cuidado de selar com um pequeno pedaço de fita adesiva aquele que ele havia furado. Logo em seguida, abriu, sem fazer barulho, a janela pela qual pretendia fugir.

- Mas vou lá checar a sala das drogas. É sempre bom ter cuidado. – voltou a sussurrar a primeira voz. – Espera aqui que eu já volto.

Felipe se colocou do lado de fora da casa rapidamente. Apoiou-se como pôde no parapeito da janela com o braço direito e, com o esquerdo, fechou-a com muita dificuldade. Aparentemente, conseguira sair antes de o golpista o surpreender. Ajeitou, então, o corpo, segurou com as duas mãos o parapeito da janela, pegou um forte impulso com os pés na parede da casa e se atirou em direção a um pequeno arbusto do terreno baldio. Ainda no ar, agarrou-se a um galho, deixou que o corpo fizesse um movimento de balanço e se soltou, aterrissando em pé e de maneira segura. Fazia tempo que não executava aqueles movimentos; que ele havia aprendido em uma missão em que teve de andar com um grupo de Parkour, na França. Na época, a modalidade não era assim tão conhecida, embora hoje já seja praticamente considerada um esporte – e tenha aparecido em alguns filmes, como nas cenas iniciais de perseguição de 007: Cassino Royale.

Sua missão, porém, ainda não terminara. Ele precisava retornar ao ponto de onde saíra. Logo deu uma volta na casa, quase rastejando pelo matagal; não podia arriscar ser visto. Assim que chegou à pequena janela do banheiro, saltou, espremeu-se e voltou para a parte de dentro da casa. Por ali, ficou ainda alguns minutos, até que um dos seguranças viesse lhe buscar.

- Ei, ô bêbado. Espero que não tenha morrido aí dentro. Ta na hora de vazar já! – gritou o homem do lado de fora do banheiro, enquanto dava fortes golpes na porta.

- Tá bom, tá bom. Já me sinto um pouco melhor. – respondeu Felipe, ao sair.

- Tá beleza, tá beleza. Agora vaza, irmão.

Felipe saiu sem dizer sequer mais uma palavra e voltou, sempre cambaleante, para os seus trapos, colocados logo em frente à casa dos golpistas. Por ali ficou, até a tarde seguinte, quando saiu para resolver de uma vez por todas a situação.

- É o comandante Rocha?

- Sim, é ele. Quem te deu esse número? Essa é uma linha especial.

- Aqui é o Max – respondeu Felipe. E depois emendou, em tom de brincadeira – Espero que ainda lembre de mim.

- Ah! Mas é claro. Não tinha reconhecido sua voz. Que é que manda?

- Vocês ainda precisam, de vez em quando, fazer umas apreensões para mostrar que estão fazendo bem o seu trabalho, certo?

- Claro, pô. Tu tem alguma boa aí pra gente?

- Tenho sim. Vou mandar te entregarem aí o material. Vai ser fácil convencer a Polícia Federal de fazer a apreensão.

- Tá certo. Mas me diz aí: não é gente da pesada não, né? A gente não quer arrumar problema.

- Não, não, claro que não. São só uns traficanteszinhos de merda.

- Ah... então ótimo. Tá beleza. Manda o material que a gente pega os caras.

Felipe desligou. Max era um codinome que usara em uma antiga missão para ajudar a Polícia Federal a prender uns contrabandistas de remédio alguns anos antes. O comandante Rocha havia sido seu contato – e desde então ele o utilizava quando precisava de alguma apreensão. Era uma troca razoavelmente saudável, embora o comandante Rocha não se metesse em apreensões que envolviam os “peixes grandes” do crime organizado do Rio de Janeiro.

**************

Haviam se passado nove dias desde a conversa entre Júlio e Felipe. Na pequena pensão da Lapa, no Centro do Rio, o clima era razoavelmente tenso. Apenas a dona do local, Dona Nevinha, parecia alheia ao que acontecia – e realmente nem desconfiava das ocupações de seus adoráveis inquilinos.

Logo pela manhã, o cheiro delicioso de seus ovos mexidos se espalhava por toda a casa. Felipe lia o jornal enquanto esperava por sua comida. Desde que terminara o treinamento de Taíssa, convidara Júlio para lhe acompanhar nos almoços e cafés da manhã. O jovem, porém, ainda não havia descido de seu quarto, talvez nervoso demais pela proximidade do prazo dado por seus fornecedores.

- Acho muito legal que você convide o menino pra comer com você. Ele é um bom garoto. – disse Dono Nevinha, conforme colocava os ovos mexidos na mesa, junto com pães, salsichas e uma garrafa de café com leite.

- Sim, sim. Ele é um jovem brilhante, minha senhora. – respondeu Felipe, com um sorriso no rosto. Ele gostava muito da dona do estabelecimento e procurava sempre ser o mais gentil possível com ela.

Os passos de Júlio descendo a escada logo interromperam a conversa.

- Olá! Estávamos falando de você. Espero que tenha dormido bem. – disse Dona Nevinha.

- Ah... mais ou menos... mais ou menos. – respondeu Júlio, ao se atirar em sua cadeira. Sua expressão era cansada; cabelos desgrenhados, roupa amassada e olheiras profundas. Há dias, provavelmente, que não dormia.

- Fica calmo, garoto. Já te disse. As coisas vão se resolver, é só ter um pouco de fé.

O jovem apenas encarou Felipe, demonstrando confiança. Naturalmente, não falaria sobre o pagamento em frente a Dona Nevinha, mas tinha certeza de que, se Felipe dissera que pagaria, poderia confiar nele. Ainda assim, a espera era desesperadora.

“Polícia Federal desmancha quadrilha e apreende mais de 10 quilos de cocaína em uma casa próxima aos Arcos da Lapa”. Ecoou a voz do apresentador do telejornal. “Na noite de ontem, a Polícia Federal invadiu uma pequena casa no Centro do Rio de Janeiro e apanhou uma quadrilha de fornecimento de drogas. Os meliantes também aplicavam golpes em seus clientes, roubando o produto que forneciam logo após o fechamento da venda. No próximo bloco, o comandante Rocha, da Polícia Federal, explicará com exclusividade todos os procedimentos da operação”.

Júlio encarou a televisão surpreendido, aliviado e assustado. Ficou estático por cerca de dois minutos. Quando recobrou os sentidos, olhou para Felipe, profundamente intrigado. Dona Nevinha colocou mais alguns pães na mesa, enquanto assoviava uma música antiga que sua mãe havia lhe ensinado; para ela, a notícia que passara soava como tantas outras que ouvia dia após dia.

Felipe não chegou a encarar Júlio. Manteve seus olhos fixos no jornal. Apenas deixou escapar uma risada irônica antes de comentar:

- Uau! Você deve ser mesmo um garoto de sorte...
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Entrevista com o autor Paul Law, confiram o lançamento de "La Bandida"

em 08/12/2011.
| Comentários: (2)
Hoje trago uma entrevista bem legal com o autor Paul Law (@Paul_Law), publicado pela Mutuus Editora. É uma momento muito legal o vivido pelo escritor, que, em muito pouco tempo, teve duas obras lançadas por editoras diferentes (recentemente, o livro Xeque-Mate foi lançado pela editora Multifoco). No próximo sábado, o autor fará um dia de lançamento de sua obra, La Bandida, na livraria Nobel de Mogi Guaçu. Abaixo deixo a imagem do convite, para que todos os interessados possam saber todas as informações e conferir este momento de perto (quem sabe adquirindo sua obra da mão do autor).

La Bandida é um livro de leitura bem rápida. É uma obra bem curta, com todos os elementos típicos das histórias de faroeste americano. O objetivo do livro e do autor é de justamente entreter o leitor, numa obra feita para se ler em "uma sentada", como muitos dizem. Possui uma linguagem leve e divertida, com inserções dos próprios personagens na narrativa. A trama é bem direta, embora não seja montada de forma linear, utilizando-se da técnica do flashback. Como falei, a leitura é bem rápida e agradável, interessante para quem curtir o gênero.

Abaixo, como sempre faço, segue uma entrevista com o autor. Há alguns pontos bem interessantes a serem observados. Espero que gostem!




- Entrevista com o autor -


 Quando decidiu que iria se dedicar aos livros? Quando percebeu que tinha o dom para se tornar um escritor?
R: Não faz muito tempo que decidi me dedicar aos livros. A possibilidade surgiu em 2009, como lançamento do meu primeiro livro, quando ganhei a publicação por causa do sucesso da história que eu tinha escrito. Perceber o dom para ser um escritor, acho que aconteceu na mesma época. Sempre gostei de escrever e fazia por diversão, mas agora, além da diversão, faço com maturidade e vontade de me consolidar como escritor.    


Como tem sido essa sua busca por espaço no mercado editorial? Conte-nos um pouco de suas estratégias e de seus sucessos.
R: Minha batalha é árdua, como a de qualquer novo escritor do país. Procuro identificar outros escritores que estão lutando para conseguir ser lidos e os apoio, pois, antes de ser escritor, sou um leitor. Nisso, estes escritores, que também são leitores de qualidade, me ajudam com meu livro. É uma troca que acontece de forma natural. Um contato, uma menção, uma parceria, tudo é importante para nós escritores novos, é o que penso. Bem, não sei especificar uma estratégia, mas posso dizer que faço tudo com muito empenho e crença de que dará certo. Acho que acreditar no trabalho é fundamental e parto deste pressuposto. Peguei as obras que eu tinha escrito, revisei e mandei para as editoras que achei que combinavam com o meu perfil de escritor. Tenho certeza que as que aprovaram meus originais para publicações foram as melhores! O meu sucesso posso dizer que se resume nas vezes que recebi a notícia de que o original foi aprovado. É a melhor sensação do mundo, pois são editoras e há milhares de originais que recebem. Ser aprovado é uma vitória.     


Quantos livros já lançou em sua carreira literária? Como foi a recepção das obras?
R: Lancei dois livros até o momento. A recepção foi boa e sempre recebo comentários positivos sobre os livros lançados. As obras vendem, são lidas em versões gratuitas que disponibilizo na internet, pois acho importante ser lido. Resenhas, opiniões e pedidos de continuações são coisas que fazem o escritor ter a certeza de que tudo valeu a pena. Os nossos passos são muitos, mas um passo dado é um a passo a menos para ser dado.    


E La Bandida? De onde surgiu a idéia para o livro?
R: La Bandida é um livro especial para mim. Nele, eu pude experimentar muitas ideias que tinha. Pude colocar em prática uma história veloz, intensa e com a possibilidade de saber o que a personagem pensa no decorrer dos acontecimentos. É legal falar de como a ideia surgiu! Ela aparece quando eu assisti a dois filmes: “Kill Bill” e “Os Jovens Pistoleiros”. Pensei em uma história que unisse os enredos dos dois filmes e La Bandida começou a nascer em minha mente.   


Conte-nos um pouco mais sobre a obra, sobre sua visão a respeito de suas características e qualidades.
R: O livro narra a aventura de uma pistoleira em busca de vingança e até aí não há muita inovação. Entretanto, o recurso de conferir os pensamentos da personagem, unido à intensidade da história conferem efeito interessante à obra. Estando nos pensamentos da personagem o leitor pode observar de perto as mudanças e o amadurecimento que acontecem com ela; podem se sentir como ela se sente. Penso em La Bandida como um livro com características cinematográficas e feito na medida para ser lido de uma vez.


Como têm sido a recepção do público?
R: Tem sido ótima. Acho que, como falei antes, dado os passos que já foram dados, estamos numa fase muito boa. Leitores já se interessam por conhecer o livro novo. Outro fato interessante que tenho observado é que o pessoal gostou muito da edição, visualmente falando. O texto trabalhado pela editora está atrativo também. Estamos no começo do trabalho, mas tem sido animador.


E como têm sido as preparações para o lançamento?
R: Correria! Estou acertado os detalhes finais e na expectativa para que tudo corra bem. Tenho que agradecer aos leitores próximos e a amigos escritores que me ajudaram a conseguir o espaço para o lançamento.


Por fim, pode dar algumas dicas aos novos escritores que acompanham o blog?
R: O que posso sugerir é que continuem a escrever, sempre. Editoras novas que valorizam autores iniciantes, meios alternativos de publicação, a internet são possibilidades para realizar o sonho de ser escritor. Acho que quem tem este objetivo possui muita chance de alcançá-lo hoje. Claro que é preciso empenho; estudar para aumentar a qualidade do seu texto e correr atrás. É preciso ter em mente também que ninguém faz sucesso da noite para o dia, ainda mais sendo escritor no Brasil. Nem que aparecerá uma editora que fará tudo por você.  Entretanto, para ser escritor de sucesso, temos que começar sendo escritor.       



- Confiram a sinopse da obra - Veja no site da editora

A pequena Helena, ainda jovem e inocente, presencia a morte de seus pais. Um assassinato a sangue frio cometido por um perigoso pistoleiro. A cena marca a sua infância e a coloca em uma cruzada para vingar a morte de seus entes queridos.

Uma aventura clássica, rápida e emocionante, típica das histórias do Velho Oeste americano. Uma narrativa capaz de mostrar que nem sempre somos motivados pelos melhores sentimentos - e que eles talvez nem sempre nos levem pelos melhores caminhos.
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[O Legado dos Dragões] E-book completo do primeiro volume

em 06/12/2011.
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Eu disse que estava numa correria só por estarmos fechando algumas ações promocionais bem legais. Então, hoje finalmente trago a vocês uma delas. Lançamos o e-book gratuito de "O Legado dos Dragões". Por enquanto, no ar, está apenas a versão em PDF. Mas em breve lançaremos também uma versão em Epub e outra em Mobi (para o Kindle). editado: versão epub e mobi já no ar

Esta parte de "O Legado dos Dragões" que está no e-book, contém muito do que já foi postado aqui no site, mas tem ali uma boa quantidade de páginas que foi acrescentada, a parte final dessa primeira fase. São, no total, dois volumes que compõem o primeiro livro. Depois mais dois que compõem o segundo - e creio que último. Enfim, falta muito ainda, desenvolverei muito ainda a história com o pessoal do blog. Aliás, ainda vou soltar muita coisa referente a história se a galera começar a se animar. Como side stories, ilustrações, quem sabe até mapas e muito mais.

Bem, sem mais delongas, coloco o link abaixo para que vocês confiram o belo hotsite criado para que as pessoas possam baixar o livro. Espero que quem não leu, leia e curta. E quem já vinha lendo, goste desses capítulos finais (que ficaram grandinhos e bem emocionantes). E a todos que gostarem, saiam espalhando por aí =)


Atualização: O meu outro livro, O Código dos Cavaleiros (que não faz parte da saga de O Legado), já está à venda em livrarias e no site da Mutuus Editora. Se quiserem ajudar um autor nacional, vocês já podem o adquirir COM AUTÓGRAFO e frete grátis, imperdível! Acessem: http://www.mutuuseditora.com.br/ocodigodoscavaleiros-2.html



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