As Aventuras de Pi é plágio da obra de Moacyr Scliar. Divulguem!

Antes de entrar exatamente no que quero falar, deixe-me explicar a situação para quem ainda não a conhece. As Aventuras de Pi, livro mais do que premiado, que gerou a adaptação para o cinema, adaptação essa que faturou quatro estatuetas do Oscar ontem, trata-se de um plágio descarado da obra Max e os felinos, do autor brasileiro Moacyr Scliar.

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A importância da "Literatura de Entretenimento"

em 10/04/2012.

Sei que já fiz alguns artigos rondando o tema, mas achei que hoje seria interessante fazer mais um, por causa de algumas idéias que têm circulado pela minha cabeça nos últimos tempos. Em primeiro lugar, como sempre digo, gosto de colocar entre aspas a expressão "Literatura de Entretenimento". Afinal, por mais que você possa ter um livro que tenha como principal objetivo entreter, isso não cria uma área literária definida; a obra continuará sendo uma ficção científica, romance policial, literatura de fantasia e etc...

Além disso, claro, eu diria que não são tantos assim os livros que poderiam ser enquadrados como leitura de apenas entretenimento. Acho que só alguns muitos ruins e muito clichês mesmo. Porque, mesmo quando o principal objetivo é a "diversão", pratica-se a leitura. E a leitura não só torna uma pessoa mais culta, mas também coloca o cérebro para trabalhar, faz com que se trabalhe a imaginação, além de também aumentar a capacidade do indivíduo de se identificar com o outro (afinal, é o mesmo processo que o leva a se identificar com personagens).

Hoje, portanto, é mais ou menos nesse sentido que quero falar da importância da chamada "literatura de entretenimento". Normalmente, um dos principais motivos para a defesa desse "tipo" de literatura se dá pelo caminho da formação de leitores. De que aquelas crianças ou adolescentes (e até mesmo adultos) que embarcam no meio literário por meio de um Harry Potter irão, com o tempo, passar para outros gêneros literários e, como consequência, tornar-se-ão ávidos leitores, críticos até.

Sim, de fato isso é verdade - e livros deste tipo têm uma gigantesca importância por causa disso. Mas há mais a ser analisado. A leitura é intrinsecamente um processo mental. Apenas pelo fato de lermos uma história, somos forçados a trabalhar com a nossa imaginação. É algo diferente do que ocorre com outras mídias, como a televisão ou o cinema, em que o processo imaginativo não é necessário (embora possa ser, em caso de um bom roteiro/produção/direção). Logo, o simples fato de um livro fazer com que milhões de pessoas o leiam já é excepcional e importante. Pois o hábito de leitura, especialmente se tomado desde cedo, gerará pessoas mais criativas - e certamente também melhorará o desempenho geral ao se trabalhar com a língua, seja de maneira escrita ou oral.

Ainda assim, muitos irão afirmar que na maioria dos "livros de entretenimento", que são, de uma maneira geral, deixados de lado pela "crítica", a qualidade textual é muito menor e as próprias histórias têm uma série de situações que apenas reforçam o status quo da sociedade. E, realmente, devemos admitir, isso também é verdade. Mas não são todos. Há aqueles muito bem escritos, com histórias interessantes e até mesmo muito críticas, embora também entretenham. Recentemente fiz aqui no blog uma resenha de um livro deste tipo, inclusive (ver Jogos Vorazes: uma ficção científica a ser respeitada).

Só que ainda há mais. Com raras exceções (e falo aqui de livros horríveis, que são puro clichê), a leitura hoje tem um outro aspecto muito importante, que a maioria dos livros - o que inclui os de entretenimento - possui: a possibilidade de levar o leitor a sentir e a se identificar com os personagens. Isso, hoje, para mim é algo mais do que essencial. Na sociedade em que vivemos, uma sociedade pós-moderna, cada vez mais impera o individualismo, as escolhas individuais, e um estilo de vida em que nos afastamos de tudo e de todos. As pessoas ficam presas no trabalho, atrás de computadores, depois presas em casa, sendo bombardeadas por milhões de possibilidades de entretenimento individual (filmes, séries, jogos de futebol). E isso faz com que o ser humano cada vez mais esqueça do outro e da importância do contato com o outro.

Mais uma vez, alguém dirá. Mas quando se lê, não se está sozinho? Sim, claro, é verdade. Trata-se de mais uma opção de entretenimento individual. Só que, neste caso, a coisa é muito diferente. Quando se lê, quando se embarca em uma história, você o faz através dos personagens, você vive por intermédio deles, compreende-os, sofre com eles e também se alegra. E, por mais que possa se tratar de uma história sem um cunho mais crítico, o indivíduo passa, sim, por um processo de identificação, um processo que já não é tão comum assim no nosso dia-a-dia. E, certamente, um indivíduo que passa por uma experiência desse tipo, irá ser influenciado, sentirá mais a necessidade - e também facilidade - de se relacionar com o outro em sua própria vida.

É por isso que digo que, a literatura de forma geral - e isso inclui a literatura de entretenimento - é talvez, hoje, a arma mais importante que temos para tentar fazer a nossa sociedade voltar a se tornar um pouco mais humana, mais capaz de olhar para o outro e de sentir, mais capaz de se revoltar e de se mobilizar. Portanto, se é a literatura de entretenimento aquela mais capaz de alcançar um número cada vez maior de pessoas, talvez seja ela também a mais capaz de gerar mudança, contrariando tudo o que ouvimos da crítica literária nas últimas décadas.

4 Comentários:

Marco Savage

Nas últimas décadas? Eu arriscaria dizer "desde que o mundo é mundo!". A elite (muitas vezes pseudo)intelectual se constitui como a maioria dos grupos humanos: compartilham entre si certos valores que os diferenciam dos outros. E estes valores, atualmente, compreendem uma leitura hermética, pouco acessível. É a forma mais fácil de se "sentir" importante e diferenciado das massas. Logo, o que vai de encontro a esse conceito é visto com menosprezo... o que é a mais pura idiotice, um narcisismo típico de crianças. Afinal, Dom Quixote e Balzac já foram literaturas bem populares (e comerciais!). Esses meus argumentos não são para negar a alta literatura, pelo contrário. É, de fato, para dizer que toda leitura é válida. Claro, há literatura popular que é muito pueril e ruim, assim como há na "alta literatura" textos de muita enrolação e NENHUM conteúdo. Como disse titio Wilde "Não existem livros bons ou ruins... eles são bem ou mau escritos".

Richard Rosário

Excelente. Também penso que embora esse tipo de literatura não seja um dos mais bem escritos, é o que muitas pessoas têm como primeiro contato com a leitura.

Se tivessem me entregado algum livro de Asimov ou algum livro fascinante ao invés de livros de Machado de Assis, eu com certeza teria lido bem mais do já li até hoje, e teria começado bem mais cedo.

Na minha opinião, os livros que passam na escola pra ler acabam afastando as crianças da leitura. Pois embora sejam boas leituras (acredite, eu gosto de Machado de Assis), são livros para serem lidos quando já se tem a cabeça formada pra fazer as reflexões necessárias para compreensão.

Luiz Teodosio

Assim como o Marco, também avalio a qualidade literária segundo as palavras de Oscar Wilde, pois cada livro é produzido dentro de uma determinada proposta de literatura, e o que acontece é que, erroneamente, um grupo de elite assenta alguns aspectos como únicos e quase cósmicos para apartar o bom e o mau livro.

Poxa, Leo, ainda não tinha visto a lit. de entretenimento dentro do contexto social que você explorou nessa postagem. Devo dizer que tenho que concordar, pois o mesmo acontece comigo quando estou lendo - já sou um indivíduo vitimado por essa solidão pós-moderna. De fato, é um exercício de reconhecimento muito rico que ajuda a amenizar um pouco esse efeito negativo da nossa sociedade.

Eu também fiz algumas postagens tocando o tema sobre lit. de entretenimento, e agora que estou pesquisando academicamente sobre o assunto, quem sabe em breve eu posso elaborar alguns textos interessantes.

http://luizdreamhope.blogspot.com.br/2012/04/onde-estao-os-leitores-literatura-em.html

Abraços.

Isie Fernandes

Oi, Leo.

Embora seja uma prática individual, a leitura termina incluindo, pois os leitores estão sempre conversando sobre suas experiências, compartilhando resenhas, trocando livros...

Comecei lendo gibis, livros infantis e infantojuvenis, mesmo assim, foi difícil ler os clássicos recomendados pelos professores de Literatura. Tudo tem um começo. Ninguém nasce sabendo andar e falar, há um passo a passo no decorrer da aprendizagem, e o ler também necessita disso. Sem falar no prazer. Todo mundo tende a procurar primeiro por aquilo que mais lhe agrada, então, os clássicos, com sua linguagem rebuscada, terminam repelindo quem ainda não tem o hábito de ler.

Apesar do que diz a crítica, acredito que, enfim, encontramos um bom caminho.

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