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Podem os e-books mudar os hábitos de leitura dos brasileiros?

em 11 de jun de 2012.

Faz alguns anos que as conversas sobre os e-books tomaram conta de vez do meio literário. Embora no início muitos não estivessem tão certos de seu sucesso, os livros digitais se provaram atraentes o suficiente para ganhar o grande público, especialmente após o surgimento de excelentes leitores digitais, como o Kindle. Hoje, inclusive, já há quem se preocupe com a possibilidade de os e-books se tornarem uma ameaça aos livros em papel tradicionais. Eu, particularmente, acho que isso possa até vir a acontecer no futuro, conforme os e-readers evoluam também, mas ainda falta bastante tempo para que haja uma total substituição - e nem saberia precisar se ela realmente aconteceria. Como já falei em alguns artigos, creio que o e-book, na verdade, amplie muito o mercado literário, pois permite a venda de livros, principalmente os voltados para conteúdo (como livros acadêmicos, didáticos, auto-ajuda e etc...), que podem não ter tanto espaço assim nas prateleiras das grandes redes. O e-book na realidade aumenta o número de leitores.


E recentes pesquisas mostram que esse tipo de pensamento tem, de fato, raízes concretas. De acordo com elas, 41% dos donos de tablets ou e-readers (que os possuem por mais de 1 ano) admitem terem aumentado o seu volume de leitura. Além disso, no período de 18 meses (junho de 2010 até dezembro de 2011), o número de pessoas lendo um e-book num dia normal passou de 4% para 15%. Isto é, a popularização dos livros digitais tem trazido novos leitores, tem conquistado muitas pessoas que não se interessavam pelos livros e tem ampliado as possibilidades daqueles que já eram ávidos consumidores. É difícil, porém, precisar o porquê do aumento. Seria por causa da praticidade de se ter muitos livros em apenas um fino e leve aparelho? Seria só pelo fato de se ter adquirido uma novidade (tablet ou e-reader) e, por isso, se comprar alguns livros, vindo o comprador de fato a ler o livro ou não? Seria por impulso, já que agora é tão fácil comprar? Seria esse impulso que poderia gerar novos leitores? Enfim, é bem complicado precisar. Mas provavelmente o aumento se dá por esses e por muitos outros fatores. Eu, como um leitor mais ávido, adoro os e-books pela economia de espaço e, principalmente, pelo preço mais reduzido, o que talvez seja o maior trunfo do formato. De qualquer forma, todos esses fatores me levam a um questionamento: poderiam os e-books mudar os hábitos de leitura dos brasileiros?

Certamente que essa mudança parece já acontecer em um país como os EUA, no qual leitores e tablets já são objetos mais comuns no dia-a-dia das pessoas. Aqui, no entanto, o processo ainda está em seu início e será, sem dúvida alguma, mais lento. Ainda assim, gigantes como a Amazon prometem cravar seus pés no país já neste ano, algo que mudará com certeza o cenário dos e-books no Brasil. Isto porque eles tentarão viabilizar a venda do Kindle nacionalmente, o que baixaria demais o preço do e-reader e abriria um universo novo de possibilidade para os leitores de livros digitais, assim como para os novos escritores.

Portanto, com um leitor mais barato e eficiente e com os preços dos livros reduzidos, será que a leitura passaria a ser um pouco mais valorizada no país? Sempre escuto como principal desculpa para o baixo número de vendas de livro no Brasil o fato de que as obras são muito caras. E sinceramente não acredito tanto assim, embora realmente o preço de um livro seja muito alto para uma grande parcela de nossa população. No entanto, quem pode comprar, na maioria das vezes, deixa a leitura em segundo plano em prol de outros objetos de consumo ou de entretenimento (cinema, gastronomia e etc..).

Na minha opinião, acho que o preço será sim atrativo àqueles que tem um forte hábito de leitura - e fará com que essas pessoas leiam mais. E também acho que os livros digitais, aliados aos e-readers, podem ampliar o número de leitores brasileiros. Mas não acho que isso vá acontecer unicamente por causa dos preços. Creio que uma maior valorização dos e-books se dará muito mais por uma questão de status, quando possuir um e-reader passará a significar ter um determinado status (prometo fazer um artigo para aprofundar essa idéia), quando tais objetos forem vistos aqui como novidade também. Portanto, ainda não sei dizer se a chegada dos livros digitais irá realmente melhorar os hábitos de leitura, mas ela certamente irá aquecer o mercado e, numericamente, aumentará o número de vendas e o lucro de autores, livreiros e editores.

E vocês, o que pensam sobre o assunto?

14 Comentários:

Sybylla

Assim como a TV não substituiu o cinema, a fotografia não substituiu a pintura, o e-reader não vai substituir o livro físico. O meio analógico ainda é o meio mais seguro de guardar informações e pode ser acessado de maneira muito simples, enquanto um e-reader precisa de bateria, recarga e tem um custo ainda alto para a maioria da população.

Eu gostaria de ter um e-reader especialmente para os estudos. É muito difícil ler artigos acadêmicos e ficar imprimindo aquela pilha ou ler pela tela brilhante e pouco confortável do computador. Também gostaria de ter um para o caso de viajar e precisar levar uma leitura comigo.

Portanto, acho que ambos podem muito bem coexistir, mas não acredito que os livros físicos sejam abandonados. Eu sinto prazer em sentir o contato da página, em poder rabiscar nas margens e criar um vínculo com o livro. Isso é algo que o livro digital ainda não conseguiu alcançar, essa ligação emocional com o leitor, o contato físico com a obra, o cheiro do papel.

Abraço!

Carissinha

Não acredito que os e-books substituirão os livros de papel. Acredito que pode ajudar mesmo a aumentar o número de leitores, principalmente para livros técnicos; mas quem gosta de ler, geralmente prefere o livro físico.

Beijos,

Carissa
http://artearoundtheworld.blogspot.com

Leonardo Schabbach

Eu concordo com os dois comentários acima, também não acho que o e-book vá substituir o livro em papel. Talvez em muitos anos, quem sabe, mesmo assim acho difícil.

Mas a questão que queria levantar mais mesmo era a de se com a chegada do e-books formaremos mais leitores. Porque o mercado literário brasileiro ainda é bem pequeno, considerando o tamanho da população do país. Será que vamos valorizar mais os livros?

E concordo com a Carissinha acima, o e-book certamente aumentará o número de leitores. Só não sei se formará leitores de fato ou melhorará o hábito de leitura do país.

Sybylla

Mas se o hábito de leitura não for adquirido desde cedo, pois era o que eu via em sala de aula, só a tecnologia não vai bastar.

De fato, um e-reader deixaria a leitura mais acessível para quem pudesse comprar um equipamento. Mas ainda assim não vejo apenas isso como um fator que aumente a leitura. Acho que precisaria haver um estímulo desde cedo, das séries iniciais, uma melhor alfabetização, uma valorização da leitura e aí sim poderíamos inserir os e-readers como um complemento, mas não o hábito em si.

Leonardo Schabbach

Sim, claro. Concordo. É impossível mudar completamente a visão sobre livros e literatura no país apenas com a chegada de e-books. Mas, quem sabe, eles não possam mudar alguns hábitos pelo menos, melhorar um pouco.

Agora, é óbvio que as questões que você levantou são muito mais essenciais e importantes. E até levanta aquela velha conversa dos péssimos livros escolhidos para as crianças lerem (forçadamente) nas escolas.

Sybylla

Os livros forçados são com certeza um dos principais fatores para a molecada largar os livros. Apesar de muitos entenderem a importância literária dos clássicos, eles gostariam de leituras mais dinâmicas, atuais e que pudessem fazê-los entender os clássicos. E o que eu vejo é que as obras são empurradas neles apenas porque fazem parte do currículo.

Além disso, livros que por ventura tratem de temas como racismo, mortes, sexismo, estão sendo deixados de lado por obras "mamão com açúcar", que nada instiga a cabeça da garotada, que não traz nada de novo. E mais uma vez, deixamos de estimular a leitura. É como o velho papo de jogos estimulando violência. Por pressão seja dos pais ou da mídia, as escolas deixam obras importantes de fora, por considerarem que são "pesadas".

Se tem uma coisa que a grande maioria dos jovens sabe fazer é separar o real do imaginário. Lembro bem da discussão sobre Harry Potter, quando fundamentalistas cristãos proibiram seus filhos de ler as obras, acusando a bruxaria de ser satânica e que roubaria as almas dos filhos. E as crianças reagiram. Sabiam que era apenas ficção. E da boa, e que aprendia muito com as aventuras ali narradas.

Por isso o sistema anda tão engessado e a leitura pouco estimulada.

Richard Rosário

Ouvi dizer que os livros digitais custam praticamente o mesmo preço do que os livros tradicionais. É certo isso?

Pois na minha ideia, um livro digital deveria ser bem mais barato que um livro normal.

Leonardo Schabbach

Richard, não é bem assim.

Aqui no Brasil eles geralmente custam 30% a menos do que o físico. E tem que ser mais ou menos esse o desconto mesmo, uma vez que o custo de produção do livro, para uma editora pequena ou média, é de 20 a 25% do preço de capa. Fora os custos de distribuição. Ou seja, estão basicamente dando o desconto do que não foi gasto sobre o preço de capa.

Já nos livros de tiragem maior e de grandes editoras, o desconto poderia ser bem maior, porque o custo de produção do livro em relação ao preço de capa é percentualmente bem menor, a margem de lucro é bem mais larga, o que permitiria descontos maiores sim.

Alex Nery

Olá.

Achei ótimo o artigo. Levanta questões muito interessantes.

Em primeiro lugar, não acredito que os ebooks vão ajudar a formar novos leitores. Pelo menos não diretamente.

Nesse ponto, a única influência que posso pensar é: leitores poderão adquirir mais livros, consequentemente lerão mais, e poderão influenciar mais ainda filhos, amigos e outras pessoas a lerem também. Esse processo já acontece com os livros tradicionais, a diferença seria que a "exposição à leitura" seria maior.

Mas enquanto readers e tablets continuarem caros (grande parte devido aos impostos), e algumas editoras insistirem em manter ebooks com o mesmo preço das edições em papel, isso não acontecerá.

Abraço.

Leonardo Schabbach

Sim, concordo completamente Alex.

O artigo é justamente tentando pensar um pouco mais para frente, principalmente quando a Amazon entrar no país. Porque assim que ela entrar, o Kindle ficará MUITO mais acessível. E naturalmente o preço dos livros online irá cair também. Além disso, o mercado para o autor independente no país também melhorará bastante.

É claro que isso é coisa para daqui a um ano ou dois, para começarmos a ver as mudanças, mas é bom já ir pensando no assunto =)

Alex Nery

Ah, verdade. Com a entrada da Amazon as coisas devem acelerar aqui no Brasil.

Observo esse mercado de ebooks com muito interesse, pois acredito que vai ser o principal canal de divulgação de novos autores nacionais, seja por publicação independente ou via editoras.

Outro ponto interessante nessa discussão, eu acho, seria o modelo de negócios. Em vez do tradicional download pago, ebooks com downloads grátis, patrocinados por anunciantes (editoras, sites, distribuidoras, etc) não seria um caminho para incrementar o mercado? Acho que esse modo ajudaria bastante na divulgação de novos escritores, talvez até como chamariz para a venda de outras edições, físicas ou não.

Leonardo Schabbach

Creio que isso possa acontecer sim. Mas já seria algo para alguns anos - e certamente começará nos EUA.

Fizemos algo parecido com meu E-book de O Legado dos Dragões, a editora fez um hotsite e fizemos com o intuito de ajudar a vender outro livro.

Essa idéia do e-book gratuito patrocinado é realmente bem interessante. Até me deu uma idéia meio louca de conto ou história mesmo, hehe.

Maurem Kayna

A questão passa longe do impasse substituição do livro físico x livro digital. Vejo no e-book a oportunidade e praticidade para se ler mais, mas para que isso atinja números expressivos no Brasil é preciso baratear o e-reader (cuja bateria pode durar até um mês). Discutimos tudo isso lá no www.ebookbr.com e no www.revolucaoebook.com.br. Se tiver curiosidade, podemos trocar experiências. Abraço!

Anônimo

Estou fazendo uma redação escolar, e meu tema é "No Brasil, essa tecnologia favoreceria o aumento de leitores em relação ao existente hoje, no meio impresso?", vim tirar inspirações. Apesar de todos os argumentos que eu tenho e vistos, todos prós e contras, os ebooks e e- readers trazem mais leitores pela praticidade e acessibilidade, porém não é uma grande mudança. Acho que como já disseram não vai ser essa nova tecnologia que vai interessar as pessoas na leitura e sim a nossa educação e hábitos. Que pena não conseguir colocar isso direito na redação suahsua Hmmm, boa discussão filosófica pra vocês.

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